




-----------------------------------------------------------------




| /Notícias do Bairro |
Era cedinho de um dia de todo dia. Na minha rotina incluía abrir a janela do quarto para deixar o ar fresco entrar. Isso mesmo, 40 graus e eu durmo de janelas fechadas, barreira contra pequeninos seres maus da madrugada. Ar refrigerado? Nem pensar, quem se esforça por mim é o pequeno ventilador que balança sua cabeça louca pacientemente pra lá e pra cá, a noite toda.
Abri a janela e registrei o pequeno porquinho mineiro me olhando - Porquinho Mineiro??? Ok, talvez ele não seja mineiro, é daqueles que a gente vê por ai no centro da cidade enchendo as carriolinhas dos vendedores ambulantes - um cofrinho de barro. Lá estava ele no beiral da janela me olhando como se quisesse entrar... aquilo ficou na minha memória RAM circulando... um animal querendo entrar?!?!. E a manhã seguiu sua rotina até eu me sentar no computador e dar de cara com aqueles seres alados. Nunca tinha me sentido tão kit.
Não sou do tipo que gosta de pinguin de geladeira, mas ali estavam empuleirados sobre o meu computador a pequena galinha verde (de clipe), o pavão de Santa Teresa, a abelinha de imã e o pintinho que ganhei de lembrança quando sai do escritório. Pintinho??? Algum duplo sentido aquele presente devia ter, mas nunca me interessei em pesquisar sobre o assunto.
Olhando ao redor, me dei conta de que a avenca que havia morrido, está feliz da vida depois que displicentemente espetei um passarinho de madeira no vaso morto. Eu não queria mais nenhum dos dois... hoje os tenho parceiros... a avenca e o passarinho.
Menino???... aquilo é um urso, nunca tinha me dado conta disso. Um pequeno urso de madeira que a minha fantasia de criança aceitou como o menino que veio do pêssego. Adorei... minha avó havia enriquecido a história apontando para o bichinho e nem me dei conta. Até hoje me lembro da alegria que sentia quando ela lia histórias japonesas pra mim e pra minha irmã. Minha avó lia os livrinhos artesanais de papel de arroz e folhas duplas, costuradas a mão... desenhos japoneses antigos... fantásticos. Eu jurava que ela sabia ler em japonês, que legal!... mas um dia, já grande e depois dela ter falecido, abri um dos livrinhos e percebi que, como os doces de leite feitos trabalhosamente por ela eram comprados na esquina, os livrinhos japoneses eram escritos em português... pura mentirinha. Ela devia se divertir instigando a nossa imaginação. Boas lembranças... 



© 2005 Isabel Vidal
Todos os direitos reservados |
| Variedades |