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Se você nunca parou para pensar em como é discutido o orçamento do município, certamente não está sozinho. Sem contar com a participação popular e com pouco espaço para discussão na imprensa, a aprovação do orçamento fica quase sempre restrita aos corredores da Câmara Municipal. Só mesmo quando manchetes escandalosas – como o investimento de R$ 500 milhões para a Cidade da Música – vêm à tona é que se percebe a importância de fiscalizar e participar das audiências públicas para discussão do orçamento.Fórum Popular critica remanejamento de verbas
Criado em 1995, o Fórum Popular do Orçamento do Rio é uma organização de cunho apartidário que reúne pessoas e entidades interessadas na democratização do orçamento do Município. A participação é aberta a qualquer cidadão carioca e o economista Bruno Lopes, coordenador do Fórum, conversou com a Folha da Laranjeira sobre o que mais o chamou atenção em relação ao orçamento de 2008, além de outras questões que demonstram a atual crise na gestão do município.
No orçamento deste ano, o fator mais destacado por Bruno – e ele garante que tem sido assim ao longo dos últimos anos – são os constantes remanejamentos de verbas de um programa para outro, sempre com destino aos projetos de forte relevância pessoal e política para o Prefeito. Ele destaca que de toda a verba destinada à Cidade da Música, 38 milhões foram retirados do Projeto de Manutenção e Revitalização da Rede de Ensino (pertencente à Secretaria de Educação do Município) e 17 milhões do Programa de Apoio ao Funcionamento da Rede de Saúde.
– Ainda que ele tenha amparo legal para fazer estes tipos de remanejamentos, chama muita atenção que eles aconteçam em detrimento de áreas tão carentes no município. Isto aconteceu muito durante as obras do Pan – afirma o economista.
E se causa estranheza à população carioca que mesmo com todos estes remanejamentos, o orçamento seja sempre facilmente aprovado com maioria pelos vereadores, a justificativa do economista para que isto ocorra é simples:
– A bancada da Prefeitura é muito forte na Câmara dos Vereadores – diz Bruno, que completa:
– Essa mesma bancada impediu, por exemplo, a instalação da CPI do Pan.
Associações de moradores têm participação ativa
Bruno ressaltou também a importância do movimento de boicote ao pagamento adiantado do IPTU, já que, para ele, Cesar Maia realmente abandonou a cidade.
– É um movimento importante da sociedade e que vai ter, sim, um impacto grande, de cerca de 30 milhões, em comparação com o mesmo período do ano passado. É importante também lembrar que essa ameaça por parte dos partidários e defensores do Prefeito de que, sem o pagamento adiantado do IPTU, não haverá recursos para a saúde e para a educação não é verdadeira. Nós, do Fórum, fazemos questão de desconstruir esse discurso. Afinal, a Prefeitura tem várias outras maneiras de destinar recursos a estas áreas sem precisar do IPTU e, se ela não faz isso, é porque não há vontade – alerta.
E assim como o movimento de boicote nasceu a partir da mobilização das associações de moradores de toda a cidade, Bruno ressalta que muitas delas também são mobilizadas em relação ao orçamento do município e constantemente participam do Fórum, através de representantes nas reuniões. Além das associações, o coordenador do Fórum destaca que apenas os vereadores Andréa Gouvêa Vieira, e Eliomar Coelho são bastante ativos na questão orçamentária do Rio e que eles sempre enviam representantes às reuniões.
Sobre estes encontros, Bruno Lopes afirma que o próximo acontece no dia 19 de março e que eles voltarão a ser mensais, sempre na sede do Fórum (Avenida Rio Branco, 109 – 16º andar), que, segundo ele, já foi chamado por Cesar Maia de “posto avançado do PT”.
– Vindo dele, consideramos isso um elogio – ironiza o coordenador.
Legendas das fotos: Cidade da Música: projeto megalomaníaco de R$ 500 milhões tirou verba da educação e saúde
Bruno Lopes é um dos coordenadores do Fórum Popular do Orçamento do Rio
“A Prefeitura, ao contrário do que anuncia, está sem dinheiro”