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14/08/09 - UM BAIRRO MELHOR

IGUARIAS E AVÓS DIVINAS


O bairro tem estado excessivamente silencioso e quieto. Como aqui não tem praia, teatro, cinema, as crianças e adolescentes tem se mudado diariamente para além-túnel. Além disso, graças às ações da população, os aviões agora têm horário restrito para sobrevoar o bairro.

Com mais silêncio podemos refletirr mais profundamente.
Estamos vivendo momentos de angústias e incertezas, plantados dentro de nossas casas e mentes por uma sucessão de atitudes oportunistas que movimentam a máquina do capital.

Até ai, como diziam nossas avós, morreu Neves (e nao foi de Gripe Nova).

O maior dano causado por esta condução mal intencionada se fará sentir ao longo dos anos. Se aceitamos sem reagir a estas ausências de verdades que nos estão sendo impostas, e aos Calmantes e as Aspirinas diárias que nos mandam tomar, o futuro só nos reservará sonolência e sangue de barata.

Reagir ao som excessivo e abusivo, ao lixo imposto, ao espaco público exíguo, à correria da vida, aos sinais com tempo errado, às autoridades negligentes, sao algumas das coisas que ainda tentamos e conseguimos fazer.

Mas estas reações tendem a se tornar escassas, porque a cada dia que passa mais a vida teima em nos transformar em números dos estatísticos.

Lembro que, quando criança, as doenças que me acometiam recebiam dos meus médicos, Dr. Heitor Jorge de Jesus e Dr. Paschoalino Lauro, a atenção individualizada e receitas aviadas com a cumplicidade das minhas avós.

Desde que começaram as noticias sobre a gripe, os dados são despejados sobre a população de forma conflitante, incoerente, e mal intencionados.

Perguntas que ninguém fez ou respondeu:

- As condutas e medidas adotadas para aumentar a higiene e diminuir os riscos de contágio são mercantilistas ou educativas a curto prazo?

- Quantas semanas vai durar o protocolo adotado para higiene pessoal em escolas e empresas, sabendo-se que alguns dos produtos sugeridos já estão em falta no mercado?

- Como e quando vão ser divulgados dados de acompanhamento a médio e longo prazo de todas as crianças nascidas de mulheres que usaram o Tamiflu durante este episodio de gripe, e de suas mães, e de seus próximos filhos?

- Dos casos graves que levaram ao óbito, quantos pacientes tinham acompanhamento por um médico-assistente?

- Quantas vezes, e que tipo de rotina de revisão ambulatorial foi estabelecida por estes médicos?

- Qual a segurança existente na utilização do Tamiflu, quanto aos aspectos teratogènicos e carcinogênicos?

- Quem assina embaixo desta suposta segurança?

- Existe um quadro comparativo entre (sem essa história de risco-benefício) risco de estar com a AH1N1 e risco de usar o Tamiflu?

- Existe um protocolo de acompanhamento confiável e transparente, sobre efeitos do medicamento, a longo e médio prazos?

- Hidratação, Repouso, Horários regulares de alimentação e sono são medidas adequadas e suficientes para os atendimentos iniciais?

- O uso de antitérmicos é realmente necessário? Pode atrapalhar?

- Que grau de importância para a evolução desfavorável tem: a inexistência de acesso a prontuários de atendimento anteriores, a inexistência de possibilidade de acompanhamento evolutivo, a inexistência de conhecimento prévio das condições de saúde de um indivíduo?

- Qual a possibilidade de um indivíduo considerado saudável e fora dos grupos de risco, ter chegado ao óbito por ter patologia prévia desconhecida e de evolução silenciosa?

- Qual o índice responsável por agravamento dos quadros, relativo à falta do grau de repouso, por parte dos que se supunham imbatíveis?

- Podemos confiar em dados estatísticos?

- Não deveriam os médicos ter ações mais efetivas, intra e extra ambientes de trabalho, em seu compromisso com a idéia da promoção e preservação da Saúde?

- Que valor terapêutico pode ter esta conduta, principalmente se associada à Canja de Galinha das nossas avós?



Meus médicos e minhas avós me ensinaram a cuidar de minha saúde em épocas de remédios manipulados, sono, horários, e alimentação sem química.

A propósito, informo que patenteei a Canja de Galinha da Minha Avó Stela e o prato de Popetas da Minha Avó Philomena (que as comia ouvindo a Ave-Maria de Júlio Louzada).

Ambas eram divinas.



Sérgio Castiglione
Médico Pediatra

smcastiglione@yahoo.com.br







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