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Informativo da Assoc. de Moradores e Amigos de Laranjeiras - AMAL
Ano XVIII | nº 223 | Janeiro 2008



MACRO & MICRO

Por Gilson Nazareth*

BACALHAU EM CHALEIRA
Há ditados populares que se apresentam locais, regionais e até nacionais. Há outros, familiares, que não passam além de um círculo restrito, muitas vezes servindo de crítica cifrada em boca de tia-velha solteirona.

Fatos, por vezes prosaicos, tendo como protagonistas figuras menores, no seio familiar, dão origem aos adágios quase que privados.

João Félix é um destes personagens. Nordestino, baixo e troncudo era soldado de carreira, no exército brasileiro, nos primeiríssimos anos da República.

Segundo o mau costume, da época, servia de empregado doméstico, não remunerado, ao seu capitão. Ambos serviam no quartel do morro de Santo Antonio, fronteiro ao largo da Carioca, no coração da cidade do Rio de Janeiro.
João Felix tinha duas paixões, a saber: a viúva Violeta que morava, em barraco de zinco, na subida do morro, junto ao caminho de acesso ao quartel e a pinga , da boa, da marvada mesmo.

Violeta, quarentona vistosa e vaidosa, um mulherão, era mulher demais para um pobre soldadinho.

João Felix fazia-lhe todos os agrados que podia e, inclusive, fingia acreditar nos 33 anos que Violeta dizia ter.

Quando o casal se desentendia João Felix prestava homenagem à sua outra paixão: a pinga. Após encher a cara nos quiosques da Carioca, subia o morro de Santo Antonio, ao passar na altura do barraco de Violeta, parava.

Frente à casa da viúva punha-se a atirar pedras e a gritar:”Trinta e três,né?”.”Trinta e três, né?”.

João Felix aceitava uma situação só até a hora que esta não mais lhe convinha. Neste sentido a família do seu capitão passou a usar a expressão: GRITAR O TRINTA E TRÊS, deixar de ser conivente com o que mais não lhe interessa.

De outra feita, João Felix deu origem a mais um adágio familiar.

Durante certos azeites, do soldadinho com Violeta, a senhora do seu capitão, D.Yáyá, recebeu outras senhoras para um chá.
João Felix , na cozinha, cozinhava sua carraspana.

A senhora do capitão foi a última a servir-se.

O chá mais do que sabia a bacalhau, era puro bacalhau.

D.Yáyá passa à cozinha e reclama.

João Felix destampa a chaleira onde está mergulhado uma generosa fatia de bacalhau.

”É, dona senhora, eu nunca vi bacalhau em chaleira”, bacalhau que ele mesmo havia ali cozinhado.

Outro ditado estava pronto, bastava alguém não reconhecer seus erros e D.Yáyá sentenciava: NUNCA VISTE BACALHAU EM CHALEIRA.

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* Gilson Nazareth é Mestre em Educação pelo IESAE - FGV e Doutor em Comunicação e Cultura pela ECO - UFRJ