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/Sergio Castiglione


08/07/2011


Para os que vivem de amor, 
Para os que sentem saudades,
Para quem ri e quem chora, 
E sabe andar de mãos dadas

 

AMOR PROFANO

Talvez, em primeira mão,
Senão o olhar profundo,
Tenham sido apenas elas,
Que por frestas de janelas,
Que por sinas deste mundo,
Me provocaram tesão.

No início, por mim, desprezo.
Mas com o tempo passando,
E com aquele meu jeitinho,
Foram aos poucos, com carinho,
Seus sentimentos mudando,
Já sentindo algum apreço.

Separadas, segregadas,
Simétricas, cinco a cinco,
Me atraíram, modo insano.
Tornaram-me vil, humano,
Meu rumo, perdendo o vinco,
Estradas tão delicadas.

Respeito perdi, não tenho,
A não ser por minha alma
Que sofreu por tanto tempo
Em busca d'outro momento,
De uma noite mais calma,
De um dia menos ferrenho.

Eu admiro, protejo,
Como se usasse um luva,
Pra conservar seu esmalte.
Para que à todos exalte,
Faça sol ou faça chuva,
Quando me inclino num beijo.

E assim, dias seguindo,
Amor e ódio alternando,
Ora choro e ora riso,
Ora chão, ora sem piso,
Lá foi o tempo passando,
Minha vida dirigindo.

Inveja eu nunca tive,
Tão finos meus dedos são,
Tão pobre é este sentir.
E, ainda está por vir,
De mansinho ou de roldão,
Quem deste toque me prive.

Mas não nego meu ciúme,
Das rosas e das vermelhas,
Recebidas ou pintadas.
Belezas anunciadas,
Que me erguem as sobrancelhas
Quando sinto seu perfume.

Pois há vinte quatro anos,
Que a mim, domínios dados,
Não hoje, nem anteontem,
Uniram mulher e homem,
Por dedos entrelaçados,
Gestos Santos e Profanos.



Sergio Castiglione
smcastiglione@yahoo.com.br









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