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Gilson Nazareth
Mestre em Educação IESAE - FGV
Doutor em Comunicação e Cultura ECO - UFRJ


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DivulgaçãoÉ Dia de Feira!!!

Richard Szame

Semanalmente, a tradicional “Feirinha da General Glicério” atrai com o passar do tempo um número cada vez maior de pessoas, de diferentes lugares e idades. Em busca de uma boa música e um ambiente tranqüilo, centenas de pessoas se deslocam ao evento em Laranjeiras, que abriga a feira livre da Rua Professor Ortiz Monteiro, o Chorinho da Praça General Glicério, a feira de artesanato, e o famoso pastel.

Com mais de três décadas de vida, a feira reúne características que atraem o público, como a boa localização, o clima saudável e a enorme gama de opções, como explica Helena Botelli, moradora da Rua Cristóvão Barcellos e freqüentadora da feira:

- Para nós, moradores aqui da redondeza, que estamos um pouco afastados da Rua das Laranjeiras, a feira é muito boa, pois apesar de ser grande, com enorme variedade de frutas, legumes, peixes e produtos estrangeiros, é tudo muito perto. Não é preciso andar muito até o pastel, por exemplo, e além do mais os vendedores são muito simpáticos. ’’

Chorinho surgiu há sete anos

Apesar da notável redução do número de barracas, devido à ação dos chamados “sacolões”, o sucesso da feira é indiscutível. Segundo vendedores e freqüentadores, a feira é de todos e para todos, sem distinção. Não só os feirantes, como também a clientela são em grande parte os mesmos nesses 30 anos de existência.

Há quase sete anos atrás a feira tomou um novo rumo. Um grupo de amigos e músicos, se uniu e formou o grupo ‘’Choro na Feira’’, que a partir daí passou a se apresentar ao ar livre na Praça General Glicério concomitantemente à feira. Alguns integrantes do grupo moram no bairro, entretanto, essa não é a razão principal pela qual ocorre a roda de Choro. A idéia é que haja a confraternização semanal de pessoas de diferentes faixas etárias, que possam se divertir com a música de qualidade ao ar livre, cercadas de diversas opções proporcionadas pela feira, como a exposição de artesanato que cresceu ao seu redor, o pastel, e a cerveja. O grupo costuma receber amigos para uma “canja”, iniciando a roda às 11h e terminando às 14h. O “Choro na Feira” toca em diversos lugares, como na Lapa, em festivais de choro, e até fora do país, como ocorreu nos Estados Unidos.

- Antigamente as pessoas vinham para a feira livre e paravam para ouvir música, agora devido ao sucesso todos vêm para ouvir música, e se der tempo aproveitam as diversas opções da feira livre. O grande número de pessoas que marcam presença na feira está diretamente relacionado ao Chorinho, que é um evento agregador - diz Luizinho Mandarino, 45 anos, expositor e freqüentador do Chorinho.

Feira tira o sono de alguns

Aliado a feira livre e suas outras atividades, o evento trouxe freqüentadores de diversas áreas, como professores e artistas, além de abrir espaço para os artesãos, que expõe suas mercadorias:

- O choro é ótimo, deve continuar, traz uma enorme alegria para a feirinha e sua convivência. Os jovens trazem uma alegria muito salutar e tocam muito bem – diz Eduardo Oliveira da Costa Barros, 78 anos, no bairro há 31, morador da Rua das Laranjeiras e freqüentador do Chorinho desde o seu início.
Porém, nem todos demonstram satisfação com relação à feira. Para montar a estrutura necessária, o trabalho inicia às três horas da madrugada, provocando barulho e incomodando o sono de algumas pessoas. De acordo com o Sr. Sulpino Borges Alves, porteiro do Edifício General Flávio, na rua Professor Ortiz Monteiro, alguns moradores reclamam.

- Os moradores sempre reclamaram da feira, tanto do barulho provocado desde a madrugada, quanto do avanço cada vez maior das barracas na rua, que não permite a passagem de seus carros – diz.

Com problemas ou não, o fato é que a "Feirinha da General Glicério" ano após ano mantém o seu nível de excelência, chamando a atenção dos holofotes e conquistando uma quantidade cada vez maior de fãs.

    Fotos Richard Szame


Chorinho movimenta a Praça São Salvador


Minas de IdéiasA Praça General Glicério não está mais sozinha quando o assunto é música em Laranjeiras. À exemplo do que acontece na Gen. Glicério, a Praça São Salvador ganhou desde maio deste ano uma roda de choro que vem chamando a atenção e ganhando cada vez mais frequentadores. Tudo começou com um grupo de alunos, em sua maioria da Escola Portátil de Música, que passou a se reunir lá aos domingos, das 11h às 13h, numa roda de choro informal e leve. Sob o nome de “Arruma o Coreto”, por conta de uma brincadeira com os fundadores do bloco carnavalesco Bagunça meu Coreto, a roda de choro começou a acontecer e ganhar fama por acaso.

Segundo Ana Claudia Caetano, flautista do grupo e idealizadora destes encontros, o choro feito por esses alunos é despretensioso e surgido da necessidade de praticar dos estudantes.

- Fui convidada para uma roda de choro no posto 6 de Copacabana, participei e adorei, mas era longe. Como eu sentia a necessidade de praticar, conversei com meu marido e tivemos a idéia de chamar amigos que também moravam por aqui e precisavam desse treino. Assim surgiu a nossa roda.

O primeiro encontro aconteceu no primeiro domingo de maio e desde então o grupo só não se reuniu em duas ocasiões: no segundo domingo de maio, que foi dia das mães e num domingo que choveu. Ana diz que no início eram poucos integrantes, mas com o boca-a-boca, hoje o grupo reúne quase vinte pessoas e seu público enche o coreto aos domingos de manhã.

- Alguns tocam sempre, outros vêm uma vez ou outra, outros tocam uma vez e não voltam mais, mas integrantes fixos mesmo são uns dez – responde Ana, sem saber precisar.
O Arruma o Coreto é democrático, tanto para os músicos, quanto para os espectadores. Dentre os que vão apreciar a boa música estão idosos, crianças, casais e jovens. Fanny Cytryn, assídua no chorinho há dois meses, diz que lá se vê todo tipo de gente.

- A música quebra as barreiras. Aqui vem gente de todas as idades, todas as etnias, todas as crenças, volta e meia tem casais dançando, vem todo o tipo de pessoa, é só gostar de música. A única coisa que incomoda um pouco é a falta de policiamento e os mendigos, que às vezes atrapalham – desabafa.





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ano 27 - nº 221
outubro/2007