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25/07/2008 - AMORAL I
As lembranças de minha infância me remetem a um mundo que me parece utópico.
Gravado no vídeo da minha memória, ao qual eu tenho acesso gratuito (enquanto a saúde permitir).
Aqueles dias transcorriam respeitosos à minha inexperiência e à minha ingenuidade, as quais só desapareceriam com o passar dos anos, num equilíbrio perfeito entre o tempo biológico e o tempo da cronologia.
Fui apresentado às tentações mundanas, no momento mais adequado;
às decisões e ao resolver por conta própria, quando já estava preparado;
às angústias da vida, e às alegrias também, quando o corpo já discernia o gozo da dor.
Cresci e amadureci numa geração de evoluções e conquistas de velocidade meteórica.
Assisti o progresso da sociedade, assim como também venho assistindo todo o seu processo de degradação.
Não questiono a evolução, nem mesmo quando ela antecipa para as novas gerações todos os tempos da vida.
E me permito crer que seja hoje capaz de transmitir idéias, críticas, sugestões.
Sei hoje, como adulto, que uma criança ainda mora dentro de mim, de cada um de nós.
Quando um de nós, de idade-criança, se vai de forma violenta, abrupta e sem defesa, todos nós sofremos como quando um não nos é imposto.
Mas outras violências estão sendo cometidas contra o mundo mágico de quem ainda tem etapa idade-criança.
Meu eu adulto apela às autoridades competentes para que interrompam uma prática que tem feito com que algumas crianças, inclusive a que mora aqui dentro, sejam desrespeitosamente iludidas ou empobrecidas.
Estão sendo usurpadas em seus sonhos e seus cofrinhos (mesmo que apenas a R$0,41 + impostos por cada ligação), ao pagarem para assistir um programa (que escolhem ao prazer de seu mundo mágico), sem que seu sonho pago se concretize.
Sendo mais claro, fazer com que as crianças paguem para assistir um programa televisivo de canal aberto, numa sessão de tarde, e oferecer outra programação à título de uma concurso de palpites possivelmente não auditado; num sistema Pay-per-view não contratado é, no mínimo, amoral.
COMO ROUBAR DOCE DE CRIANÇA
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